Mulheres na Pré-História

Qual o melhor lugar de começar senão o começo? O período Pré-Histórico é usualmente ignorado quando se discute sobre o passado, principalmente pela falta de evidências para poder basear as conclusões. Embora isso seja negativo, já que são mais suposições do que fatos pautados em documentos (sim, reconheço a problemática de que não há nada que seja A verdade, mas reconheçamos que é pior no caso deste período), também permite que analisemos mais claramente como certos resultados dos cientistas são tão baseados em sua realidade atual quanto são nos caos que estudam.

A história das mulheres na Pré-História é um ótimo exemplo disso. Afinal, você espera que no início do tempo, quando não havia sociedade ou escrita, o trabalho manual fosse o fator que avaliasse a importância de alguém, certo? Errado. Pelo menos, é o que aparenta pelos diferentes trabalhos feitos sobre a época.

O tópico constante quando se discute sobre as pessoas de tal período baseia-se na sobrevivência, sobre como arranjar comida e se proteger dos animais. Isso leva a discussão sobre o surgimento da roda, fogo e das armas para caça, porém se ignora que o cesto, roupa e cerâmica foram tão importantes quanto. Não só isso, ignoramos a importância dessas atividades para a sobrevivência do dia a dia. Por que, sim, a caça era atividade masculina, mas a importância dela para a alimentação diária? Praticamente nula, isso é devido a sua dificuldade tanto de conseguir quanto de conservação. O que mantinha os grupos eram as coletas de alimentos, realizadas pelas mulheres.

A professora Sally Slocum indica outro ponto onde se ignora a participação feminina. A criadora da teoria ‘Mulher, a Coletora’ (em resposta a ‘Homem, o Caçador’) responde a ideia de que a sociabilidade e comunicação foram desenvolvidas pelos homens pela necessidade da caça grupal. Segundo ela, as mulheres contribuíram tanto quanto através do processo de coleta coletiva e criação de crianças. Em relação a família, aliás, importante indica que era centrada em volta da mulher, como o antropólogo W. I. Thomas indica: “filhos, portanto, eram das mulheres e mantinham-se membros de seu grupo. O germe de organização social foi sempre as mulheres e seus filhos e os filhos de seus filhos.”

É possível citar diversos casos onde se demonstra a importância da mulher, porém creio que esses são suficientes para justificar a defesa da atuação feminina. Gostaria de focar, agora, em alguns estudos realizados sobre a evolução e a participação feminina nisso. Admito que poderia buscar o nome de tais antropólogos, porém me parece um desperdício de tempo, principalmente por que seus estudos deveriam servir somente de piada e depois esquecidos.

Diferentes autores quando trataram sobre o corpo feminino e suas mudanças, encontraram explicações, minimamente, curiosas. Um dos estudos, ao explicar o aumento dos seios femininos, justificou afirmando que os homens precisavam de algo para se atrair ao sexo frontal (que as mulheres desejavam para poder procriar), em vez de sexo anal, preferência masculina devida as nádegas. Outro estudo, agora sobre o orgasmo feminino, indicou que o mesmo surgiu, já que os homens precisavam de um atrativo para transar após um dia exaustivo de caça. Sim, o corpo feminino evoluiu para ter maiores peitos e sentir orgasmos por que os homens precisam ter mais atrativos para fazer sexo. Não, isso não ocorreu por causa da amamentação de crianças maiores ou por que o clitóris existe. Esqueceram que tudo das mulheres é voltado ao homens, até mesmo sua evolução?

Como ocorre em diferentes épocas, ignoramos o trabalho das mulheres por serem menos interessantes, esquecendo assim a vitalidade do mesmo para a sobrevivência. Sim, a imagem de alguém enfrentando um leão é muito mais legal do que alguém de joelhos coletando frutas, mas no final do dia, quem permitiu que a humanidade continuasse viva eram as frutas sem graças. É possível celebrar os dois, não é preciso esquecer a força masculina para lembrar a feminina e vice-versa.

Fonte: MILES, Rosalind (1988). The Women’s History of the World. Great Britain: Paladin.

Imagem em destaque de Robin Alasdair

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