Mulheres no Esporte

Como está ocorrendo a Olimpíada de Inverno em Sochi, Rússia, penso que é uma ótima oportunidade para discutirmos a participação feminina nos esportes.  Há muito o que se discutir, como a busca pela inclusão femininas em diferentes modalidades, as maiores vencedoras ou a luta contra a ideia de que seja algo ‘menor’ do que o praticado pelos homens. Embora cada tópico possibilite uma discussão extensa, este post tem o propósito de somente apresentar o tema e começar o debate.

O fato de que as mulheres não foram aceitas na primeira Olimpíada, ainda na Grécia Antiga, não é surpreendente considerando, bem, toda a história da sociedade antiga e posterior. Todavia as mulheres realizaram sua própria competição, Jogos de Hera, que constituiu de competição de corridas a pé. Porém tais Jogos não impediriam a dominação total dos homens e qualquer participação feminina em um campo esportivo era causa de escândalo (como quando, em 1567, Mary Queen of Scots jogou golf na Inglaterra… dias após o assassinato de seu marido).

O século XIX marca o início de diversas competições femininas, porém são impedidas de competir na primeira Olímpiadas modernas, em 1896, com a justificativa de que “é indecente que os espectadores sejam expostos ao risco de ver o corpo de uma mulher ser esmagado diante de seus olhos. Além disso, não importa o quão forte uma esportista pode ser, o seu organismo não é feito para sustentar certos choques”. Ignorando tal lógica, a atleta Melpomene correu o mesmo percurso da maratona dos homens, terminando com o tempo de 4 horas e 30 minutos.

As décadas seguintes representariam a busca pela possibilidade de competir em diferentes esportes. Tal luta tem momentos distintos, como, em 1902, a patinadora Madge Syers compete entre os homens no campeonato mundial e conquista a prata. Em 1924, na primeira Olímpiada de Inverno, as mulheres somente puderam competir na patinação no gelo individual e casal, este ano mulheres competem em 14 modalidades, sendo o Combinado Nórdico a última barreira a ser quebrada. A Olímpiadas de Verão em Londres, 2012, foi a primeira a ter mulheres em todos os esportes e todas delegações tiveram pelo menos uma mulher.

Há a conquista feminina fora do ‘campo’, mas há também as conquistas dentro do mesmo. Diversas mulheres predominaram em seus respectivos campos por anos, como a equipe americana de revezamento livre na natação que ganhou seis ouros seguidos nas Olimpíadas entre 1960 e 88 (excluído a Olímpiada de Moscou que os americanos boicotaram). Também é possível citar a romena Iolanda Balaş, que ganhou dois ouros e melhorou o recorde mundial 14 vezes de salto de altura, tendo um dos melhores saltos em história. Pat Summitt foi a técnica, entre 1974 a 2012, com mais vitórias no basquete universitário americano, tanto feminino quanto masculino, também é a segunda com mais títulos e uma das três com mais de mil vitórias considerando todos os esportes. Tais casos são exemplo de mulheres bem sucedidas em diferentes campos, tanto individualmente quanto coletivamente – e Summitt demonstra como mulheres podem ensinar tão bem quanto homens, mesmo não tendo o mesmo número de oportunidade.

Mesmo após tanto tempo de disputas e vitórias, as mulheres ainda não conseguiram o mesmo reconhecimento que os homens. O número de mulheres que dirigem, treinam e auxiliam nos esportes ainda é deficitário, mesmo nos esportes onde as atletas são mulheres. No caso americano, após lei federal que proibia discriminação de gênero entre financiamento esportivo, o número de atletas cresceu, porém as mulheres só recebem 26% dos recursos para operação e 28% do destinado ao recrutamento.

A opinião popular acompanha a mídia, a qual oferece pouco espaço para esportes femininos em sua grade horária e há poucas narradoras e comentaristas, sendo as jornalistas esportivas usualmente relegadas a somente conduzir entrevistas com os ‘especialistas’ e os atletas. Uma forma de desmerecimento constante ocorre através de matérias avaliando a beleza das atletas, quando o mesmo não ocorre com os homens. Um exemplo nesse caso é a Globo, nesta Olimpíada, que tem uma matéria diária para falar sobre uma atleta bonita, também sobre o repetitivo uso de musas para classificar e fazendo galerias de ‘gatas’.

O esporte é um campo tradicional masculino, onde a feminilidade é usada como ofensa a homens que não tem o que precisa para competir (seja o que for).  A luta contra essa visão machista e homofóbica dos esportes é necessária para se ter o respeito devido a mulheres que desejam participar do meio, seja competindo ou analisando. Enquanto a visão de um nicho masculino se mantiver, mulheres serão consideradas ‘fora do lugar’ e tendo que quebrar o teto do preconceito primeiro para depois poder ser avaliadas pelo sua contribuição profissional. Muito já foi conquistado, porém ainda há um longo caminho a se seguir – e esse discurso por acaso é novo?

Fontes:

Timeline: Women in Sports

History of Women in Sports Timeline

Australian women show the way to equality at the Winter Olympics

Winning streak (sports)

Empowering Women in Sports

Imagem em destaque de Frank Jay Haynes

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