Toni Morrison

Chloe Ardelia Wofford (18/02/1931)

Esta semana, destacaremos uma personagem com relevância no mundo literário, cujo as figuras centrais são proeminentemente homens brancos. Toni Morrison consegue conciliar reconhecimento internacional com sua importância histórica. A autora é uma das únicas treze mulheres vencedoras do Nobel e tantos outros prêmios como o Pulitzer. Muito mais do que suas conquistas literárias tão significantes, sua maior importância se deve por ser a principal autora negra do último século.

Após anos trabalhando como professora de inglês universitária e editora de livros, Morrison iniciou sua carreira com o livro ‘O olho mais azul’ (1970), sobre uma menina negra que acreditava que sua vida melhoraria se tivesse olhos azuis. Embora tenha tido boas críticas, o livro não vendeu bem. O reconhecimento consolidaria com ‘Song of Salomon’ (1975) que foi reconhecido como melhor livro do ano pelo National Book Critics Circle após tratar sobre um jovem negro que busca suas origens no sul. Seu maior livro, ‘Amada’ (1987), ganhou o Pulitzer, em 1988, e, em 2006, foi eleito pelo NY Times a obra de ficção mais importante dos últimos 25 anos nos EUA. O livro tratava sobre a vida de uma escrava após sua fuga e as escolhas para manter sua liberdade.

Ao todo a autora tem dez livros de ficção, sete não ficção, três infantis, duas peças e um livro de contos. Grande parte de seus trabalhos focam na história de personagens negros, principalmente mulheres, o que rendeu críticas por supostamente escrever livros a partir de sua experiência, focando assim somente em um público. Como resposta a tal acusação, a autora respondeu que aceitava o rótulo de autora negra, já que isso não limitava sua imaginação, sim expandia. Também afirmou que nunca pediu a Tolstói para escrever algo para ela, garota negra de Ohio, ou que James Joyce não citasse os católicos em Dublin. Porém esses autores são considerados universais, enquanto seus livros são classificados dentro de um nicho no qual supostamente somente alguns podem se identificar.

Havia diversos empecilhos para uma pessoa com a sua história ser bem sucedida, afinal o mercado literário para negras era (e continua) pequeno, tinha o emprego como editora, filhos para cuidar sozinha e 39 anos. Todavia havia algo que motivava Morrison a levantar antes do sol nascer e dos filhos toda manhã: ela queria ler certa história. Quando questionada se queria ser autora quando criança, ela negou e disse que queria ser uma leitora, porém não havia a história que ela queria ler, logo teve que escrevê-la.

Ironicamente, um dos elogios mais recorrentes a sua escrita é um dos que mais a incomodam. Como lembrado na premiação do Nobel, sua escrita tem uma força poética única, porém, para ela, tal afirmação ignora o desenvolvimento e os personagens para afirmar que o que há de memorável é sua forma de compor as frases. Seus personagens, e suas trajetórias, são os elementos mais importantes para ela. Como alguns críticos afirmam, alguns de seus livros podem ser classificados “simplesmente” como romances ou histórias de jovens amadurecendo, porém a importância dos mesmos se dá pelo desenvolvimento do protagonista, não pela revolução que o livro cause nas classificações literárias.

Toni Morrison contribui para abrir caminhos para aqueles, como ela, não tem o incentivo natural na área através de seu próprio trabalho como ativismo. Professora até recentemente, sempre defendeu ensinar para os graduandos, mesmo quando a mentalidade universitária os desvaloriza, por que ela crê que eles merecem a melhor educação. Isso demonstra como para ela, sua atitude nunca terminou nela mesmo, como indica: “Por favor, não se contente com a felicidade. Não é boa o suficiente. Claro que você merece, mas se isso é tudo que você tem em mente – a felicidade – quero sugerir a vocês  que o sucesso pessoal desprovido de significação, sem um compromisso firme com a justiça social – isso é mais do que uma vida estéril. É trivial.”

Obras:

O olho mais azul (1970)

Sula (1974)

Song of Solomon (1977)

Tar Baby (1981)

Amada (1987)

Jazz (1992)

Paraíso (1999)

Amor (2003)

A Mercy (2008)

Home (2012)

Fontes:

Biography

Toni Morrison on the white gaze 

Toni Morrison, The Art of Fiction No. 134

Toni Morrison: ‘I want to feel what I feel. Even if it’s not happiness

Imagem em destaque de deidretyrell 

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