Audre Lorde

Audrey Geraldine Lorde (18/02/1934 – 17/11/1992)

A poetisa, nascida em Nova York e filha de imigrantes do Barbado e Carriacou, definida por si mesmo como ‘negra, lésbica, mãe, guerreira, poeta’, reconhece a importância das denominações. Como afirmando em um poema, ‘se eu não mesma me definir, eu seria esmagada nas fantasias de outras pessoas e comida viva”. Antes de falecer aos 58 anos, participou de uma cerimônia de nomeação africana, onde foi nomeada Gambda Adisa, que significa ‘Guerreira: ela que faz seu significado conhecido’. Tal verdade por ser reconhecida por sua luta contra os canceres de mama e fígado, que durou por 14 anos, documento no seu Cancer Journals (1980).

Sua luta física contra uma doença é exemplo de sua determinação, utilizada em outras batalhas, como contra o racismo, sexismo e homofobia. Aflita pela tendência moderna de categorizar os grupos sociais, ela lutou contra a marginalização de certos grupos através de seus trabalhos, ao tentar empoderar seus leitores para reagirem ao preconceitos em suas próprias vidas.

Suas poesias foram regularmente publicadas a partir da década de 60, tratando de temas pessoais como políticos. Tratou sobre amor, descoberta sexual, maternidade, doenças, como também contra a guerra, por direitos civis e feminismo. Quando questionada sobre por que escrevia poesias, respondeu que ela antigamente falava em forma de poesia, decorava-as e usava quando alguém perguntava algo, quando não conseguiu encontrar os poemas para expressas seus sentimentos, ela começou a escrevê-los (aos seus doze ou treze anos.

Sua luta social levou a criação da editora Kitchen Table: Women of Color Press junto a Barbara Smith e Cherríe Moraga, primeira americana de tal tipo. Seu trabalho até hoje é reconhecido pelo projeto com seu nome, espaço de mobilização para pessoa de cor e homossexuais, e o Prêmio Audr Lorde para poetisas lésbicas.

Teoricamente, a importância de Lorde se dá por ser uma das primeiras a tratar sobre a relação feminista com racismo, homofobia e classismo (ou a falta do mesmo). Na década de 60, criticou fortemente feministas brancas, ao afirmar que as mesmas focavam em experiências e valores particular das mulheres brancas da classe média. Afirmava que a oposição binária entre homens e mulheres era simplista, já que ignorava outros tipos de privilégios e as próprias divisões que há entre as mulheres.

O debate continuou por anos, tendo respostas de diversas feministas, como Mary Daly, o que reafirmou sua persona de outsider. Afirmaram que isso a destacava nas conferências, entre as feministas brancas acadêmicas como a ‘voz feminista negra lésbica isolada, acusadora e raivosa’. Usualmente a resposta das feministas brancas de que ela desejava ter posição privilegiada por ser negra e lésbica, como também que ela tinha uma falsa autoridade moral baseada em seu sofrimento. Argumentavam que o sofrimento era uma condição universal das mulheres e acusar as feministas de racismo causava divisão em vez de cura. A resposta de Lorde? ‘O que você ouve na minha voz é fura, não sofrimento. Raiva, não autoridade moral’.

No ensaio ‘The Master’s Tools Will Never Dismantle the Master’s House’, Lorde responde à suas opositoras de que o racism internalizado no feminismo é uma dependência não reconhecida do patriarcado. Ela argumentou que, ao negar as diferenças nas categorias de mulheres, as feministas brancas meramente repassam os velhos sistemas de opressão e que isso impedia qualquer mudança real e duradoura. Também lembrou o fato de que se discutia sobre mulheres, porém as conferências eram somente preenchidas por brancas, como se tais mulheres não poderiam oferecer visões distintas sobre sociedade ou existencialismo. Por fim, ela questiona se a mulher paga para cuidar das crianças tinha o mesmo espaço do que aqueles que estavam ali discursando?

As reflexões de Lorde abriram caminho para maior discussão sobre a relação do feminismo com outras lutas sociais. Embora o espaço seja mais amplo do que no seu tempo, é preciso reconhecer que a discussão feminista ainda ignora que a mulher branca recebe mais do que o homem negro ou de que são as mulheres de cor entre as pessoas mais pobres no mundo. Somente com o reconhecimento de tal diferença, é possível realizar real mudança social. Como afirmado por Lorde:

“Como mulheres, temos sido ensinadas a ignorar as nossas diferenças ou vê-las como causa para a separação e desconfiança em vez de forças de mudança. Sem comunidade não há libertação, apenas o vulnerável e temporário armistício entre um indivíduo e sua opressão. Mas comunidade não deve significar um derramamento de nossas diferenças, nem a pretensão patética de que essas diferenças não existem.”

A seguir, alguns trechos do trabalho de Audre Lorde:

“Não é nossa diferença que nos divide. É nossa incapacidade de reconhecer, aceitar e celebrar essas diferenças.”

 

“E quando falamos, estamos com medo

de que nossos palavras não serão ouvidas

nem bem vindas

mas quando nos silenciamos

ainda estamos com medo

Por isso, é melhor falar

lembrando

nós nunca fomos feitos para sobreviver”

 

“Eu escrevo para aquelas mulheres que não falam, para aqueles que não têm voz, porque elas estão tão apavoradas, porque somos ensinadas a respeitar o medo mais do  que nós mesmos. Fomos ensinadas que o silêncio nos salvaria, mas ele não vai.”

Obras:

The First Cities (1968)

Cables to Rage (1970)

From a Land Where Other People Live (1973)

New York Head Shop and Museum (1974)

Coal (1976)

Between Our Selves (1976)

The Black Unicorn (1978)

The Cancer Journals (1980)

Uses of the Erotic: the erotic as power. (1981)

Chosen Poems: Old and New. (1982)

Zami: A New Spelling of My Name. (1983)

Sister Outsider: essays and speeches. (1984)

Our Dead Behind Us. (1986)

A Burst of Light (1988)

The Marvelous Arithmetics of Distance (1993)

 

Fontes:

Audre Lorde

Audre Lorde

Audre Lorde

The Lorde Audre Project

The Master’s Tools Will Never Dismantle the Master’s House

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