Cecilia Payne-Gaposchkin

Cecilia Helena Payne-Gaposchkin (10/05/1900 – 7/12/1979)

‘O trabalho desta mulher não é reconhecido o suficiente’ é um frase já utilizada nesse blog e será usada mais vezes, afinal, se fosse falsa, esse blog não teria razão de existir. Todavia, em nenhuma outra área, isso é tão verdade quanto nas ciências. Eu não tenho o conhecimento o suficiente para falar sobre quem é estudado nas universidades, porém no ensino fundamental e médio, mulheres são raramente citadas (quando são). Pode-se debater sobre as consequências disso, aliada a outros fatores, como o interesse feminino menor nas áreas exatas, porém o que desejo focar é na questão de reconhecimento. Como tanto outros nomes, Cecilia Payne-Gaposchkin merece ser um nome falado nas salas de aula (mesmo sendo difícil pronunciar).

A astrônoma e astrofísica britânica-americana ganhou renome por ter descoberto a composição da estrelas em termos da abundância de hidrogênio e hélio (acredite que isso é importante, por que eu não sei explicar o porquê). Porém antes de chegar ao fim de seu doutorado, onde apresentou tal hipótese, aos 25 anos (I know!) teve um caminho tortuoso. Sua educação somente foi possível através da bolsa de estudos da Newnham College, Universidade de Cambridge, já que sua mãe decidiu investir somente na educação do seu irmão. Após estudar botânica, física e química, ela começou a se interessar por astronomia em uma excursão para ver as estrelas perto de um eclipse solar, para testas a teoria da relatividade de Einstein, em 1919.

Após não ter o seu diploma entregue por causa de seu sexo (Cambridge somente começou a conceder a partir de 1948), Cecilia teve que encarar que sua carreira seria limitada a ser professora na Inglaterra. Decide se mudar para os EUA, em 1923, para estudar no Observatório de Harvard, sendo a segunda mulher a conquistar tal feito (Adelaide Ames foi a primeira).

Em 1925, ela escreve a dissertação do doutorado, sendo a primeira pessoa a ser doutora em astronomia na Radcliff College (atualmente pertecendo a Harvard). Sua tese, denominada “Atmosferas estelares, uma contribuição para o estudo observacional da alta temperatura nas camadas inversão das estrelas”, foi aclamada pelo astrônomo Otto Struve como “sem dúvida, o Ph.D. tese mais brilhante já escrita em astronomia”.

Segundo o Wikipedia: “Payne foi capaz de relacionar com precisão as classes espectrais das estrelas para as suas temperaturas reais, aplicando a teoria de ionização desenvolvida pelo físico indiano Meghnad Saha. Ela mostrou que a grande variação de linhas de absorção estelares foi devido a quantidades de ionização diferentes em diferentes temperaturas, e não para diferentes quantidades de elementos. Ela sugeriu corretamente que o silício, carbono e outros metais comuns observados em espectro do Sol foram encontrados em aproximadamente a mesma quantidade relativa como na Terra, mas que o hélio e particularmente hidrogênio eram muito mais abundantes (para o hidrogênio, por um fator de cerca de um milhão). Sua tese, portanto, estabelecido que o hidrogênio foi o constituinte esmagadora das estrelas e, assim, o elemento mais abundante no Universo.” Entendeu? Nem eu, mas ela descobriu o elemento mais abundante do Universo (!!!), isso que importa.

Todavia, quando o astrônomo Henry Norris Russell revisou sua dissertação, ele a dissuadiu a afirmar que a composição do Sol era diferente da Terra, assim contradizendo a ‘verdade’ da época. Quatro anos depois, ele chegou ao mesmo resultado e defendeu o que ela disse inicialmente. Mesmo que tenha a reconhecido em seu trabalho, usualmente se dá o crédito a ele. Então a lição do dia é: não ouça os homens, eles acabam com os créditos mesmo quando não querem.

Embora sua tese seja o maior feito de sua carreira, Payne continuou a estudar a luminosidade das estrelas para poder compreender a estrutura da Via Láctea. Junto de seus assistentes, ela realizou mais de 3.250.000 observações sobre estrelas. Os dados foram utilizados para determinar os caminhos da evolução estelar. Sua carreira, inteira em Harvard, teve diferentes estágios, tendo somente atingido a posição de professora da Faculdade de Artes e Ciências da Universidade de Harvard em 1956, sendo a primeira mulher a conquistar tal feito. Após sua aposentadoria, em 1966, foi apontada como professora emérita de Harvard e continuou a pesquisar no Observatório da Smithsoniam. Até seu falecimento, ela publicou mais de 150 artigos e monografias.

A carreira de Cecilia tem elementos comuns como únicos. A parte comum é no campo que muitas mulheres enfrentaram e ainda enfrentam, onde seu gênero foi justificativa para retrocessos profissionais. E a unicidade é, bem, quantas pessoas podem falar que descobriram do que as estrelas são feitas?

 

Fontes

Cecilia Payne-Gaposchkin

Cecilia Payne-Gaposchkin (1900 – 1979)

Cecilia Helena Payne-Gaposchkin

Science’s Most Elusive Women: Cecilia Payne-Gaposchkin & the Women of Harvard Observatory

 

Imagem em destaque de Smithsonian Institution

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