Yaa Asantewaa

Yaa Asantewaa (c. 1840- 17/10/1921)

Se conhecemos poucas mulheres históricas, é pior ainda no caso de africanas. Ignoramos a história do continente e suas diversas lutas. Simplesmente classificamos como o local ‘misterioso’ que foi dominado pelos europeus e, em seguida, pela fome e guerra. Olhamos para aquele espaço no mapa e falamos que as mulheres são consideradas menos, são humilhadas por seus maridos e o Estado, colocando-as assim somente como passivas na história. Está na hora de ouvirmos a sua história como protagonista e Yaa Asantewaa é um ótimo exemplo para tal.

Nana Yaa, reconhecida como Rainha Mãe, já foi comparada a Joan D’Arc. Foi rainha da região Edweso, parte do antigo Reino Asante, parte da atual Gana. Nasceu em 1840 e era a irmã de Kwasi Afrane Panin, que se tornou governante de Edweso quando ela era jovem. Durante o governo de seu irmão, o Império Britânico conduziu uma campanha de controle contra o Império Asante através da tributação, conversão e controle de grandes áreas tribais, incluindo minas de ouro.

Asantewaa foi nomeada Rainha por seu irmão, Nana Akwasi Afrane Okpese. Ele morreu após a guerra civil Ashanti, entre 1883-1888. Após sua morte, ela usou sua influência para nomear seu neto como Governante de Ejisu. Quando Ashanti começou a resistir, o então governador britânico exigiu que eles lhe dessem o Golden Stool, símbolo independência e poder para o povo. Frente a contínua recusa, em 1896, seu neto, assim como o Rei Prempeh I e outros, foram exilados para Seychelles pelos britânicos.

Em 1900, o que ainda restava da monarquia foi reunida e o Golden Stool foi novamente exigido. Yaa era a única mulher presente e protetora do Stool. Frente a ideia de aceitar os desmandos britânico, é reportado que ela disse:

“Agora eu vi que alguns de vocês têm medo de ir para a frente para lutar por nosso rei. Se fosse nos dias bravos de Osei Tutu, Okomfo Anokye e Opolu Ware, os líderes não se sentariam para ver o seu Rei ser capturado sem disparar um tiro. Nenhum homem branco poderia ter se atrever a falar com um líder da Ashanti na forma como o governador falou com vocês esta manhã.

É verdade que a bravura do Ashanti não existe mais? Eu não posso acreditar. Não pode ser! Devo dizer isso, se os homens de Ashanti não irão para a frente, então nós vamos. Nós, as mulheres, vão. Vou convocar as mulheres. Nós lutaremos contra os homens brancos. Vamos lutar até a última de nós cair nos campos de batalha ”

Por fim, ofereceu suas roupas íntimas em troca das loinclothes de qualquer chefe homem de Ashanti não disposto a lutar contra os britânicos.

Yaa, após o discurso, liderou a Guerra de Yaa Asantewaa pela Independência, como ficou conhecida, que estourou no mesmo dia. Como a líder da revolução, Yaa reuniu um exército pessoal de mais de 4000 soldados. Durante três meses, ela foi capaz de sitiar a fortaleza britânica em Kumasi. Depois de sofrer baixas em combate inicial, Reforços britânicos foram chamados da Nigéria, após as baixas do combate inicial. Através de melhor tecnologia, táticas de queima de terra e recompensas financeiras para os traidores, a Rainha-mãe foi presa em 3 de março de 1901 e foi exilada, onde morreria em 1921.

Até hoje ela é reconhecida como uma das maiores mulheres africanas, sendo a última africana a liderar uma grande guerra. O seu corpo, quando retornado a Gana, foi enterrado condizente a sua história. Diversos espaço são nomeados em sua homenagem, como museus e escolas na, agora livre, região administrativa Ashanti de Gana.

 

Koo koo hin koo

Yaa Asantewaa ee!

Obaa basia

Ogyina apremo ano ee!

Waye be egyae

Na Wabo mmode

(“Yaa Asantewaa

A mulher que lutou contra canhões

Você fez grandes coisas

Você fez bem”)

 

Fontes

Queen Mother, Yaa Asantewaa 1840 – 1921

Queen Mother Nana Yaa Asantewaa of West Africa’s Ashanti Empire

Yaa Asantewaa 

Yaa Asantewaa

 

Imagem em destaque de Listverse

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